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Blog Marcelo Torres

 

 Que Mandela nos inspire!

Postado por: Marcelo Torres - 20/8/2010 - 15:25

 Acabo de devorar as mais de 700 páginas de "Longo Caminho para a Liberdade", a autobiografia de Nelson Mandela. Trouxe o livro comigo ao voltar da Copa do Mundo da África do Sul com a disposição de conhecer um pouco mais sobre a história dessa lenda dos nossos tempos.

 

Mandela não é um exemplo apenas por representar a luta contra a discriminação. Ele é capaz de inspirar pela maneira firme e paciente como enfrentou as adversidades, sem nunca tirar da cabeça seu objetivo, o de construir um país democrático, até chegar à vitória.

 

Numa sociedade em que os negros eram tratados como crianças, ele chegou até a universidade branca. Único aluno de pele escura, ouviu de um professor que "negros e mulheres" não deveriam ser permitidos nos cursos superiores, já que "não tinham capacidade de concentração".

 

Advogado de sucesso, depois de ser preso foi submetido à crueldade de carcereiros que mal haviam estudado. Dos 27 anos em que foi privado da liberdade, passou pelo menos uns 18 quebrando pedra, sendo submetido a um trabalho degradante, às vezes recebendo apenas uma visita por ano, tendo que ver a esposa através de um vidro, vigiado o tempo inteiro pelos guardas prisionais.

 

Ao sair da cadeia e vencer o regime racista, ao contrário de muitos dos seus que pediam revanche, Mandela liderou a reconciliação. Disse que havia chegado ao poder não para o simples triunfo dos negros, mas para garantir que nunca mais o país assistiria à dominação de uma raça por outra, que ninguém jamais voltaria a ser classificado pela cor da pele.

 

Chamou-me atenção a noção que Mandela sempre teve de que era preciso manter-se firme em seus ideais e convencer seus partidários dos caminhos a serem trilhados. De fato liderar, não apenas amealhar seguidores por dizer tudo o que o povo queria ouvir. Ele também pediu que as pessoas o ouvissem. Tratou de conquistar corações e mentes para sua causa. Conquistou, inclusive, uma grande fatia da população branca.

 

Aqui do Exterior, tenho acompanhado as campanhas eleitorais aí do Brasil. Não sei se vão concordar comigo, mas, no geral, me parece tudo tão "pasteurizado",  todos defendendo propostas mais ou menos iguais, tantos candidatos à presidência, ao Senado e aos governos estaduais recitando ideias que julgam ser populares para simplesmente ganhar votos, deixando para segundo plano a tarefa de "esclarecer, liderar, transformar a sociedade".

 

Seguir o exemplo de Mandela é admitir que às vezes a derrota é necessária para fazer avançar uma idéia. No Brasil, a maoiria dos políticos parece pensar apenas na vitória custe o que custar. Ideologia, adapta-se à dos "grupos de discussão". Sei que há honrosas exceções, mas, no geral, acho que ainda temos um longo caminho para nos libertar desse jeito de fazer política.

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Palmada é crime?

Postado por: Marcelo Torres - 27/7/2010 - 10:57

Nesse assunto, eu me alinho à Supernanny. Acho que, na maioria das vezes, o mau comportamento dos filhos reflete a atitude dos pais. Por isso, acredito que as palmadas em crianças podem quase sempre ser evitadas. Mas entre essa conclusão e achar que o pai que dá um tapinha no bumbum do filho levado deva ser tratado como criminoso, há uma grande distância. Nesta semana, no SBT Brasil, estamos fazendo uma série de reportagens sobre a nova lei brasileira. A mim, coube mostrar o panorama da Europa. No velho continente, quase todos os países tornaram crime as palmadas, mas o Reino Unido resiste. As autoridades britânicas determinaram que os pais só serão responsabilizados se machucarem os filhos ou se deixarem marcas visíveis. A lei foi aprovada há seis anos, mas ainda gera muita discussão. Mais sobre o tema no SBT Brasil ao longo desta semana. Abraços a todos!

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Lições da África

Postado por: Marcelo Torres - 5/7/2010 - 11:43

Oi, pessoal, tanta coisa aconteceu por aqui nestes dias em que não consegui escrever! Primeiro, foi a eliminação do Brasil. Coisa mais chata. A gente estava gravando uma reportagem numa das praças de um lugar chamado Melrose Arch, em Joanesburgo. Fiquei impressionado com a quantidade de sulafricanos com camisetas da Holanda. Os brasileiros eram minoria e tivemos que assistir a todos festejando quando o juiz apitou o fim das esperanças da seleção canarinho. Nós aqui do SBT continuamos a cobrir a Copa e os jogos finais, mas, com o Brasil fora, também temos espaço para abordar outros aspectos do que acontece no país. Nesta segunda-feira, começamos uma série de reportagens sobre as lições que a África do Sul pode ensinar ao Brasil na preparação do Mundial de 2014. Continuem acompanhando nossa cobertura nos telejornais, aqui pelo blog e também pelo twitter (www.twitter.com/reporternomundo). Um grande abraço a vocês!

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Ciao, Italia!

Postado por: Marcelo Torres - 24/6/2010 - 14:22

Mais um gigante caiu. Depois de assistirmos à vergonhosa atuação da seleção francesa, vice-campeã da última copa, nesta quinta-feira foi a própria campeã que deu adeus à competição com o humilhante último lugar do grupo F. Pior ainda porque perdeu de 3 a 2 para um time considerado fraco, a Eslováquia, que pouca gente apostava ter chances de avançar. Na terra de leões, girafas e elefantes, a zebra vem aparecendo com uma frequência bem maior do que a gente poderia imaginar. Tomara que não entre em campo no jogo entre Brasil e Portugal. Gosto de acreditar que, apesar da goleada de 7 a 0 dos lusos sobre a Coréia do Norte, os canarinhos ainda são os favoritos. Vamos conferir.

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Duas despedidas

Postado por: Marcelo Torres - 22/6/2010 - 16:06

Lembro-me como se fosse hoje. Quartas-de-final da Copa da Alemanha em 2006. Depois de terminar a reportagem do dia em Berlim, fui jantar num restaurante mexicano com o produtor do SBT Luiz Fernando Bernardo. Assim que a França marcou o gol que tirou o Brasil da competição, um garçom desastrado escorregou e jogou um prato na minha testa. Fiquei com o galo, a decepção e o gosto amargo de lembrar de outras duas copas recentes em que os franceses jogaram pimenta na nossa champanhe: 1986 e 1998.



Desta vez os franceses já chegaram à África do Sul meio por baixo. Tiraram a vaga da Irlanda graças a um gol de mão de Thierry Henry. Ao contrário do último mundial, agora não houve volta por cima. Aqui na África do Sul e em muitas cidades francesas, o time foi vaiado depois da derrota por 2 a 1 para os donos da casa. Nesta copa, o carrasco não nos ameaça mais.



Para os bafana bafana, também foi o final de um sonho. E de certa forma uma humilhação, já que nunca antes o país-sede da Copa havia tido um resultado tão ruim. A diferença é que os sulafricanos ainda têm o que festejar. A realização do mundial, em si, é uma vitória para uma nação que há até poucos anos era lembrada apenas pela vergonha do apartheid, da violência e do descaso com os milhões de portadores do vírus HIV.



O jogo acabou e os sulafricanos continuaram dançando. Logo logo eles arrumam outro time para torcer. Pode ser Gana, que deverá levar a bandeira do continente adiante, pode ser o Brasil, que eles sempre admiraram, ou qualquer outra seleção que mostre um bom futebol. O que eles querem é celebrar, ao contrário da França, que pode já ter perdido a vontade de acompanhar o resto dos jogos.

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Os fabulosos do domingo

Postado por: Marcelo Torres - 21/6/2010 - 09:36


A bandeira se mistura à multidão


Foi um domingo de heróis e vilões. A vitória do Brasil contra a Costa do Marfim por 3 X 1 marcou a volta - e que volta - do fabuloso Luís Fabiano. Elano não brilhou menos e fez o segundo dele na copa. Só saiu de campo por causa da violência do nosso adversário. Kaká foi outra vítima, embora tenha sido apontado pelo juiz como o grande vilão, enquanto o próprio árbitro virou o mau menino para todo o Brasil, em especial para o técnico Dunga, ao mesmo tempo em que o nosso treinador que, dizem, soltou uns palavrões numa entrevista coletiva, e acabou vilanizado por tantos outros.


Na saída do estádio, escrevi no twitter que os brasileiros deixavam o Soccer City cheios de alegria. Recebi uma resposta de "por que, alegria?", em referência aos desmandos do juiz. Respondi que o mais importante era a vitória. Um triunfo brasileiro daqueles que a gente ainda estava esperando para ver nesta copa de resultados magros e favoritos que decepcionam.


Tenho certeza que todas as 84 mil pessoas dentro do Soccer City saíram com a sensação de ter visto um belo espetáculo. A chegada ao estádio, em si, já foi um evento. Havia uma certa bagunça para passar nos detectores de metal, mas nada que ameaçasse ninguém. À medida que nos aproximamos do estádio-símbolo desta Copa, ia chamando mais atenção a arquitetura arrojada, os muitos tons de marrom e alaranjado entrecortados por áreas perfuradas que revelavam a estrutura do interior do recinto. E a chegada às arquibancadas foi algo inexplicável. A única coisa que consegui comentar com meu colega de SBT, Aron Nowicki, foi: "espero que no Brasil a gente consiga ter ao menos um estádio tão imponente para 2014".



Estádio lotado: o Brasil era minoria, mas saiu de alma lavada


E aí veio o Hino Nacional, os gritos de "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", o show do "fabuloso", a classficação antecipada do Brasil. Enfeito este post com as fotos de outro fabuloso do domingo: o estádio Soccer City. Que ele sirva de bom exemplo aos organizadores da Copa de 2014. Acompanhe as notícias do SBT na Copa por aqui, pelo outro blog feito em conjunto por toda a nossa equipe (http://tiny.cc/gtfor) e no meu twitter (www.twitter.com/reporternomundo). Abraço grande a todos vocês!



84 mil pessoas que viram a vitória brasileira

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Portugal na esperança de "golos"

Postado por: Marcelo Torres - 18/6/2010 - 15:13

Hoje fui cobrir um treino de Portugal, na cidade de Magaliesburgo. O jogador disponível para conversar com os jornalistas era o baiano Liedson, que se naturalizou português para jogar pela "equipa" de lá. E não é que ele já pegou o jeitão lusitano? O atacante diz que quer marcar "golos" em vez de "gols", e que defende com amor a "camisola" de Portugal. Bati um papo com o jornalista Nuno Luz, do canal SIC, e ele me disse que os três brasileiros da equipe (além de Liedson, tem o Deco e o Pepe) são adorados pela torcida portuguesa. Nuno lembra que a terceira rodada da Copa pelo grupo G vai ser um jogo entre países irmãos, mas diz que "quando começar o jogo, acabou a amizade e é cada um por si". Perto de Magaliesburgo, existe uma comunidade portuguesa com padarias e restaurantes da terra de Camões (e de Saramago, de quem lembramos hoje com tanto agradecimento). Em todo o país, são centenas de milhões de imigrantes de Portugal e seus descendentes. A "equipa" começou mal. Frustrou os torcedores num empate sem gols e sem inventividade contra a Costa do Marfim. O craque Cristiano Ronaldo apareceu para dizer que ainda está confiante na conquista da copa. Pra isso, terá que passar pela Coréia do Norte e, dependendo desse resultado, vencer o Brasil. A conferir.

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Laranja morna

Postado por: Marcelo Torres - 14/6/2010 - 13:32

Nada como a torcida brasileira. Hoje acompanhei os holandeses e simpatizantes durante a partida contra a Dinamarca. Boa parte da população branca da África do Sul é descendente de holandeses e simpatiza com a laranja mecânica. Mesmo assim, nem a vitória por 2 a 0 conseguiu levantar a torcida nas principais praças e parques de Joanesburgo. Quando muito, ouvia-se um grito aqui, uma vuvuzela ali, nada que, nem de longe, se comparasse ao jeito brasileiro de torcer e vibrar. Nesse quesito, acho que só podemos ser rivalizados pelos bacanas anfitriões bafanas. No jogo de abertura da Copa, quando saiu o gol da África do Sul, eu estava no Soweto, junto com a multidão. Quando percebi, já tinha entrado no meio da massa humana, abraçado e pulando com os torcedores. Bem contagiante. Do jeito que estamos acostumados.

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Encontro com o rei Pelé

Postado por: Marcelo Torres - 10/6/2010 - 13:05

Pelé veio a Joanesburgo lançar a marca dele de produtos esportivos, mas o que jornalistas de todo o mundo queriam mesmo saber era a opinião do craque sobre a Copa do Mundo. O rei disse que gostaria de ver o Brasil e um time africano na final, mas acredita que é mais provável um duelo dos espanhóis contra a esquadra de Dunga. Dezenas de meninos e meninos que sonham fazer carreira no futebol apareceram para recepcionar a lenda brasileira. Ao final, fizemos uma entrevista exclusiva com o rei do futebol, que vocês poderão conferir nos telejornais do SBT. Continuem nos acompanhando. Grande abraço a todos aí no Brasil.

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Carnaval na África

Postado por: Marcelo Torres - 9/6/2010 - 11:46

Oi, pessoal, obrigado pelos comentários do último post. Como disse, é muito bacana comemorar com vocês o aniversário deste espaço de debates.

Aqui na África do Sul, eu e meus colegas do SBT já estamos no maior pique na cobertura da Copa do Mundo.

Hoje, fomos ver o ensaio da cerimônia de abertura. Entre homens e mulheres com roupas típicas na África, encontramos grupos de capoeira formados inteiramente por sul africanos. Antes do ensaio, as mais de mil pessoas desfilaram por uma avenida, batucaram e dançaram. Algo realmente contagiante. Os carros que passavam do outro lado da pista buzinavam e até os limpadores de rua pararam o trabalho, levantaram as vassouras para o alto e entraram na dança.

Tem me chamado muita atenção a alegria do povo daqui. Todo mundo é simpático e os sorrisos saem facilmente. Inclusive o meu, ao ver essa festa. Continuem acompanhando os posts por aqui e pelo Twitter (www.twitter.com/reporternomundo).

Um grande abraço a todos.

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Marcelo Torres

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É correspondente internacional do SBT há quatro anos. Antes disso, trabalhou para a BBC e para a Rede Globo. O jornalista tem 13 anos de experiência e já percorreu mais de 40 países, incluindo zonas de guerra, para trazer ao público brasileiro informações internacionais que as grandes agências não mostram.

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