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Blog Marcelo Torres

 

Presidente Lula volta ao Planalto

Postado por: Marcelo Torres - 24/1/2012 - 19:15

Pela primeira vez desde que saiu da presidência, Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto nesta segunda-feira. Chegou de chapéu preto, mas logo exibiu a cabeça sem cabelos, resultado da quimioterapia. Foi ovacionado pela plateia. Mesmo sem dizer nada, Lula prestigiou Fernando Haddad, que deixou o Ministério da Educação para se candidatar à Prefeitura de São Paulo. Perguntei a Haddad se a cerimônia oficial serviu para impulsionar a candidatura dele. O agora ex-ministro me respondeu que os críticos devem pensar na política de uma maneira mais elevada.

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Por que comida de aeroporto é tão cara?

Postado por: Marcelo Torres - 11/1/2012 - 16:11

Cafezinho por R$ 7, água por R$ 4, qualquer coisa que se coma em aeroporto custa muito mais caro do que nas cidades. A reportagem acima mostra que muitos brasileiros preferem ir viajar com a bolsa cheia de comida, mais barata, trazida de casa. Aos frequentadores do Aeroporto de Guarulhos, uma dica: existe uma cateferia lá dentro onde os preços são menos da metade das demais... encontrá-la, entretanto, é um desafio. É, quem sabe, um dos maiores segredos de Cumbica.

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Transplante de ossos ajuda a recuperar o sorriso perfeito

Postado por: Marcelo Torres - 10/1/2012 - 19:24

Nos últimos cinco anos, o Brasil viu o número de transplantes de ossos passar de menos de 800 para mais de 23 mil por ano. Na maioria dos casos, o material foi usado para a odontologia. Quem tem problemas nos ossos maxilares dificilmente consegue receber uma prótese dentária de titânio, a mais resistente e confortável. Isso porque a haste de titânio não se fixa na ossatura frágil. Antigamente, pacientes desse tipo estavam condenados a usar próteses móveis, com todo o inconveniente dessa solução. Agora, com a possibilidade do transplante ósseo, o maxilar é reconstituído e o titânio se fixa normalmente. Os ossos podem ser de doadores mortos, feitos à base de osso bovino ou em laboratório, cada qual com suas vantagens. O procedimento não é coberto pelo SUS, nem por planos de saúde, e custa em torno de 5 mil reais. Na Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, o custo cai 70%. É só entrar na fila, que tem 800 pessoas no momento. O telefone de lá é (11) 2223-2301. Mais detalhes no vídeo acima.

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Algum palpite para 2012?

Postado por: Marcelo Torres - 28/12/2011 - 10:45

Mais um ano vai embora e se, em janeiro de 2011, alguém fizesse certas previsões sobre acontecimentos mundiais, não seria levado muito a sério. Ou alguém imaginaria que ditadores há décadas no poder teriam fim humilhante como o do egípcio Hosni Mubarak ou trágico como o do líder líbio Muamar Gaddafi? E o euro, que a "top" Gisele Bundchen escolheu como moeda para contratos por não confiar no claudicante dólar americano? Quem diria que o euro chegasse ao fim de 2011 até mesmo ameaçado como moeda comum do maior bloco econômico do planeta?


Pois bem, eu, que de futurólogo não tenho nada, vou listar aqui algumas indagações sobre o ano que chega. Certas especulações podem parecer absurdas, mas, ao final de 2012, poderão soar até tímidas, já que a vida, às vezes, é tão surpreendente que carece de verossimilhança. Vamos filosofar:


1) Quem sabe não veremos uma primavera norte-coreana? O ditador Kim Jon Il se foi, deixou o filho no poder, mas vai que o moleque não tem o mesmo carisma e o povo decida reagir? Tomara que o arsenal atômico não faça parte de uma revolução.


2) Para o bem da economia brasileira, é bom que Estados Unidos e Europa se recuperem. Escrevo estas linhas no momento em que o Brasil ultrapassa a Inglaterra e se torna a sexta economia do mundo. Será que fechamos 2015 em quinto lugar, à frente da França?


3) Vai que os maiores poluidores do mundo tenham uma crise de consciência... a COP 18, que vai ser realizada no fim do ano no Catar, poderá - finalmente - render um acordo ambicioso para combater o aquecimento global?


4) O governo prevê que oito estádios da copa estarão prontos até o fim de 2012. Ok, mas e as obras de infraestrutura, promessa de legado do maior torneio de futebol do mundo? Quem sabe não somos surpreendidos com boas notícias nesse setor também? Sonhar não custa.


5) 2012 tem eleição presidencial nos Estados Unidos. Quatro anos antes, o país elegeu seu primeiro líder negro. Veremos a reeleição de Obama ou teremos outro fato inédito como, por exemplo, uma presidenta? O problema é que, no atual cenário, só se for oriunda do Tea Party com... erm... Sarah Palin. Será?


E você, arrisca palpites para 2012? Deixe nos comentários... no fim do ano a gente confere os acertos...

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Ainda dá tempo de salvar estas famílias

Postado por: Marcelo Torres - 4/11/2011 - 13:13

Às vésperas da temporada de chuvas fortes, as maiores cidades do país sabem exatamente onde estão as famílias em situação de risco. Por que, então, não se acelera a remoção? A reportagem acima foi feita na Zona Leste de São Paulo. Todas as famílias com quem conversei dizem que aceitam sair, desde que tenham auxílio de 300 reais por mês da prefeitura, a chamada bolsa-aluguel, ou a inscrição em programas de casas populares. "Não queremos nada de graça", lembrou uma das entrevistadas. São pessoas que topam pagar o financiamento e só não abandonaram as áreas sujeitas a deslizamento por um motivo simples: não têm para onde ir.

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Conheça o setor de criação visual do SBT

Postado por: Marcelo Torres - 3/11/2011 - 10:23

Eles fazem mágica!

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De volta ao Brasil!

Postado por: Marcelo Torres - 20/9/2011 - 18:51

Começo este post pedindo perdão aos leitores pelo longo hiato sem passar por aqui para bater um papo com vocês. As últimas semanas foram intensas. Não apenas tive que lidar com todas as dores de cabeça de quem se muda de país, mas também com o inevitável período de adaptação. Depois de muitos anos em Londres (seis só pelo SBT), decidi morar de novo no Brasil. São Paulo é agora a minha casa. E os moradores daqui e de todo o Brasil são, de novo, matéria-prima para as histórias que conto na TV. É um privilégio ser jornalista num país tão diverso e rico culturalmente. E também num Brasil em transformação. Espero trazer um olhar mais maduro depois de tantas andanças pelo mundo. E estou entusiasmado com a chance de continuar a ter contato com vocês neste espaço, agora escrevendo mais de perto. Grande abraço a todos e continuem lligados no SBT!

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"Naquele tempo, a Venezuela era a única democracia da América do Sul"

Postado por: Marcelo Torres - 5/5/2011 - 11:46

Não era o cenário mais apropriado para conversar sobre as ditaduras dos anos 1970. Estávamos, nós do SBT e jornalistas do canal alemão SAT1, na Universidade de St. Andrews, na Escócia, fazendo reportagens sobre o casamento real. Mas o papo com o veterano Dieter Kronzuker foi tão interessante que resolvi compartilhar com vocês.


Quando você virou correspondente na América Latina?
Foi em 1968. Fizemos uma pequena parada na Bolívia, quando Che Guevara foi assassinado, e fomos para o México, onde seria realizada a próxima Copa do Mundo de futebol. Naquele momento, houve a matança na Praça das Três Culturas, quando muitos estudantes foram assassinados. Tentamos filmar lá, mas tomaram nossa câmera. Então, não tenho nada gravado desse episódio.

 


E por que depois decidiu ir para a Venezuela?
Ganhei o cargo de correspondente na América Latina e buscava um lugar seguro para levar minha família. Naquele tempo, a Venezuela era a única democracia na América Latina. Agora é o contrário, é o único regime autoritário.

 

E o Brasil?
Naquele momento, é claro, o evento mais espetacular que havia era o Pelé e a seleção voltando do México como vencedores da Copa do Mundo. Havia muita festa, fogos de artifício e tudo aquilo. Naquela mesma noite [quando ele estava no Brasil], o Embaixador da Alemanha, Ehrenfried von Holleben, foi sequestrado [pela militância de esquerda]. Então, eu fiquei no país por uma semana esperando pela libertação no Rio de Janeiro.
Quando ele saiu, preparei tudo, fiz uma entrevista com ele, levei o filme para o aeroporto , que foi despachado para a Alemanha e lá revelado [naquele tempo, televisão também era feita com película de cinema, o que exigia a revelação fotográfica]. Meus editores me telefonaram e disseram: "não precisamos da sua entrevista. Tivemos nossa primeira linha direta com o Brasil [via satélite] em branco e preto. Seus colegas brasileiros fizeram uma entrevista com o senhor Von Holleben, que nós já veiculamos". Eu estava tão orgulhoso da entrevista que tinha feito, mas não pude usá-la (risos). Depois, a dei de presente para o embaixador.

 

Era difícil para um estrangeiro fazer reportagens no Brasil?
Em 1972, eu estava no Brasil durante uma visita do presidente de Portugal [Américo Tomás] ao presidente brasileiro [Emílio Garrastazu] Médici. Houve uma celebração pelo fato de Portugal estar devolvendo ao Brasil os restos mortais de Dom Pedro I. A imprensa estava proibida de filmar, mas minha equipe filmou mesmo assim.
Quando nos "pegaram", fomos levados para a cadeia. Fiquei preso por dois dias em São Paulo. Naquele tempo se falava muito de "elementos estrangeiros" e pensaram que eu era um "elemento" (risos). Ainda me lembro do agente de segurança que nos libertou. O nome dele era Leonardo. Fomos interrogados e ele se convenceu de que eu era um jornalista. Celebramos a libertação num restaurante que ele escolheu, chamado Danúbio. A prisão não era confortável, mas não vi nenhum instrumento de tortura. Depois, fiquei sabendo como os chamados "subversivos" eram tratados. Tentei fazer uma reportagem sobre isso e o Leonardo me apresentou um homem chamado Massafumi, que tinha "virado a casaca" e passado a colaborar com o governo. Essa reportagem foi ao ar na Alemanha. Mas, depois da veiculação, descobri que o Massafumi tinha voltado a fazer parte da resistência. Não me lembro do nome completo dele, mas você pode pesquisar. (Segui o conselho do jornalista alemão e descobri Massafumi Yoshinaga. Pelo que li, ele foi uma espécie de "troféu" exibido pela ditadura e foi "oferecido" a jornalistas do Brasil e do Exterior para entrevistas, como se tivesse se arrependido de ter participado da resistência armada. Fez,também, palestras para enaltecer o regime em escolas públicas. Acusado de delator pela VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária, Massafumi foi discriminado pelos movimentos de esquerda e se matou em 1976. Neste link, está uma versão da história que, se verdadeira, me faz sentir muita pena do que aconteceu com ele:
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/10/massafumi-yoshinaga-1949-1976.html)

 

Que outras memórias tem do Brasil?
Era uma época muito interessante porque a bossa nova, com diversos músicos famosos, surgiu em Copabacana e aqueles cantores muito frequentemente tinham significados ocultos em suas músicas, contra a ditadura. Não era só um tempo de repressão. Era um tempo de busca de atingir objetivos pela arte. A juventude era tão rebelde, mas, ao mesmo tempo, fugia para as artes. Na Alemanha Oriental, escrever contra o governo era uma maneira de poder expressar as opiniões. No Brasil, fazer música era um jeito de revolucionar contra o governo.

 

O que pensa sobre o Brasil de hoje?
Tenho que dizer que há duas razões para eu estar muito surpreso e feliz por vocês terem essa nova presidente. Primeiro, porque países como Chile, Argentina e Brasil têm sociedades dominadas pelos homens. E todos esses três países têm ou tiveram uma mulher presidente. E a segunda razão é que ela [a presidente Dilma Rousseff] deve ser uma mulher heróica, por ter sofrido coisas que eu me lembro que foram feitas contra jovens desde antes dos anos 1970 no Brasil, e, apartamente, é também um sinal de emancipação, não só das mulheres do Brasil, mas da sociedade em geral.

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Justiça foi feita, Obama?

Postado por: Marcelo Torres - 2/5/2011 - 09:25

O político que já prepara terreno para a reeleição seguiu o script que dele se esperava. Triunfante, Barack Obama anunciou que ele próprio, que definiu a prioridade número 1 do Pentágono, com determinação e eficiência, tinha chegado lá: Osama bin Laden, o monstro, estava morto.

O presidente americano, que em boa parte se elegeu criticando a guerra do Iraque, nesse dia de glória até citou George W. Bush com um meio elogio. Fez a ressalva de que o combate ao terrorismo continuava, mas o formato não deixava dúvida. Era o canto do "vencemos a guerra" ou "eu venci a guerra, Donald Trump".

Para relembrar os americanos sobre a importância de matar o monstro, Obama disse que, por causa de Osama, muitos americanos jantavam sem a mãe ou o pai na mesa. Mas agora estão todos vingados. Podem comer a sobremesa sossegados.

Justiça foi feita? Como se sentem as famílias dos milhares de inocentes mortos pelos EUA no Iraque e no Afeganistão? Para exibir a cabeça de Osama na bandeja, não ficou pedra sobre pedra, como se usassem metralhadora para caçar mosquito. O terrorismo que fez tantos americanos sofrerem -- e eles merecem todo nosso respeito e solidariedade -- é tão terrível quanto a resposta desproporcional da "guerra ao terrorismo". Ou a dignidade humana que Obama diz defender só vale para americanos e aliados?

Quando estava no Iraque em 2006 e no Afeganistão em 2007, vi de perto o inferno em que as vidas daquelas pessoas tinham se transformado para que o governo americano desse à audiência doméstica aquela "sensação refrescante" de Justiça.

Na minha opinião, bin Laden é mesmo um monstro. Assim como para milhares de iraquianos e afegãos que comem sem seus pais nas mesas (se é que comem), Bush o é. Faz parte do script, como acabei de dizer, anunciar o triunfo. Mas, por favor, vender a idéia de eficiência numa guerra tão desastrada só faz sentido mesmo na lógica do marketing político.

A celebração em frente à Casa Branca me lembrou os palestinos comemorando o 11 de setembro em 2001. Não vejo dignidade em nenhum dos dois atos. Assim se alimenta a cultura da guerra. Do lado mais forte, espera-se ao menos um pouco mais de sobriedade. Mas sei que é pedir demais.

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  Inshallah!

Postado por: Marcelo Torres - 1/3/2011 - 18:39

 Já estou há mais de uma semana na fronteira da Tunísia com a Líbia. Embora corra o território de norte a sul, fico a maior parte do tempo numa cidadezinha chamada Ben Guerdane. A Tunísia é um país muçulmano, mas muito tolerante e aberto a outras culturas. Meu tradutor se chama Abdullah. É um jovem de 23 anos, recém-formado em inglês e que sonha em ser professor universitário. Durante as viagens, já falamos muito sobre religião. É interessante ouvir dele explicações sobre como funciona o código de conduta nesse pedacinho do mundo árabe. Nem vamos perder tempo nos estereótipos. As sociedades muçulmanas religiosas são mesmo mais conservadoras com questões sociais e de família. Mas ao se tirar essa casquinha da cultura e da religião, vejo no Abdullah quase que um jovem brasileiro, feliz ao falar de sua terra, cordial com quem vem de longe, simples e batalhador. Um dia desses, postei uma foto no meu twitter (reporternomundo) mostrando a vista da janela. Recebi uma resposta de que parecia o interior da Bahia. As mesmas novas tecnologias que agora permitem que os árabes se organizem e ponham ditadores para correr também servem para que nós tenhamos uma visão mais próxima dos árabes - e eles de nós (Abdullah já faz parte do público do SBT; mesmo sem entender, vê várias reportagens no site e comenta comigo e com o cinegrafista Azul Serra). Ao olhar para esse povo simples e sofrido do norte da África, me enxergo também como brasileiro que nos anos oitenta viu o país começar a mudar de rumo. Há mais semelhanças do que diferenças entre nós. Temos opiniões conflitantes, sim. Abdullah não abre mão da certeza de que o Islã é o caminho certo. Eu acho que todas as religiões, e até mesmo a prática do bem por quem não segue religião alguma, podem levar a Deus. Mas aqui como no Brasil parece ser forte a crença na democracia. Foi esse ideal, o de que os governos devem representar os moradores, que inspirou tantas rebeliões. E já que nesta parte do mundo é difícil deixar o "divino" de lado, desejo que "Inshallah", "se Deus quiser", o povo triunfe sobre quem tenta oprimi-lo. A geração de Abdullah merece.

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Marcelo Torres

sbt

É repórter do SBT em São Paulo. Foi correspondente internacional da emissora em Londres por seis anos. Antes disso, trabalhou para a BBC e para a Rede Globo. O jornalista tem 15 anos de experiência e já percorreu mais de 50 países, incluindo zonas de guerra. Neste blog, compartilha o dia-a-dia da profissão com os telespectadores.


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