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O presidente do STF, Joaquim Barbosa, incomodou mais uma vez no discurso
em que diz que o Brasil tem partidos "de mentirinha". Irritou porque
puxou de novo um nervo inflamado do nosso país. Falou a verdade. O
Brasil tem o pior sistema eleitoral e partidário do mundo democrático.
E como uma reforma depende daqueles que se beneficiam do que está aí,
bem... não haverá reforma alguma. Pelo sistema proporcional
brasileiro, um político se elege com votos difusos em todo o Estado.
Dessa maneira, um deputado não precisa convencer a maioria. Basta
contar com os votos de uma minoria pequena, mas coesa. Isso favorece a
formação de bancadas de celebridades, votos de protesto (fenômenos
como Tiririca), e radicais de todos os tipos (Bolsonaro, por exemplo,
não precisa ser aprovado pela maioria em lugar algum. Basta continuar a
fomentar ideias extremistas e os 5% de extremistas garantirão a
eleição dele). Isso também facilita o troca troca de partidos
conforme a conveniência do momento. No sistema de voto distrital,
adotado pelo Reino Unido, por exemplo, o país é dividido em vários
distritos eleitorais. Cada um deles elege um deputado. Esse
representante deverá, portanto, contar com a maioria dos votos daquele
distrito. Precisará convencer que é melhor para a maioria e não
apenas para um grupo de 20% de religiosos, nacionalistas extremados,
sindicalistas ou pessoas com ideias radicais. Deverá demonstrar que tem
capacidade de legislar respeitando todos os eleitores daquele distrito,
incluindo os grupos que acabei de citar. Outra vantagem é que com esse
sistema fica muito claro para o eleitor quem é o seu deputado. A
campanha também é mais barata, por ser restrita a uma área pequena e
não a um estado inteiro. Mas, como disse, o atual Congresso não tem
interesse em debater um sistema melhor. Gasta todo o tempo e energia com
seus lobbies e com a defesa de um status quo que só beneficia quem já está dentro do sistema. Não, meus amigos, não há perigo de
melhorar.
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