No interior do Pará, um Brasil onde conflitos constantemente são resolvidos a bala. Onde o homem não aprendeu a ganhar a vida sem assassinar a natureza, onde os altos índices de criminalidade só são proporcionais aos de desemprego. Não é difícil entender porque os aliciadores agem nessa região. Uma enfermeira que trabalha em um hospital do Pará seria a intermediária entre mães que querem vender os filhos e famílias que querem comprar.
Em conversa pelo telefone ela confirma tudo e diz que o esquema não falha. Um radialista famoso na cidade que tem participação com o esquema do "jogo do bicho" age com muita tranquilidade, tratando o assunto como se estivesse falando de carregamento de mercadorias. Uma mulher na beira da estrada que estaria negociando um de seus filhos por madeira para construir sua casa.
Casais que não podem ser pais biológicos muitas vezes estão dispostos a pagar caro para fugir do sistema legal de adoção e suas longas filas de espera. Após pesquisa na internet surge uma agenciadora. Nossa produtora se passa por uma mulher que não pode engravidar e que quer adotar uma criança. As duas marcam um encontro em um shopping de São Paulo e negociam o bebê. Concordamos em buscar a criança na cidade de Encruzilhada, a 600 km de Salvador, na Bahia.
Lá, descobrimos a participação de uma vereadora e a palavra que em três meses estaríamos com um bebê nos braços. Próximo passo: conhecer a mãe da criança. O destino inicial na cidade é a casa da vereadora, envolvida no esquema. Ela diz que já está tudo certo com uma família que mora perto dela. A promessa é que em dois meses pegaremos o bebê. Nesse tempo nosso contato com a aliciadora era frequente, assim como os pedidos de dinheiro. Perto do nascimento ela muda os planos. Agora acha melhor o bebê nascer em São Paulo com um médico indicado, que também faz parte do esquema.
Além do parto, ele garante o registro em nome da "mãe-produtora". Porém a aliciadora nos adianta que o bebê nasceu antes da hora e que temos que buscar a criança. Na hora de desmascarar o esquema a mãe do bebê nega a vontade de dar o filho.
Chegamos na rua onde mora a vereadora. Após horas de espera fomos surpreendidos e ameaçados. O marido dela tenta nos atropelar. Ao ser confrontada, a vereadora nega tudo. Ela demonstra que entende de leis. Sabe como funciona o processo para adotar uma criança no Brasil. Durante nossas investigações descobrimos que essa não foi a primeira vez que ela intermediou a venda de uma criança. Em um cenário típico do sudoeste baiano, Adeídes é outra mulher que deu sua criança para outra família criar.
Chegamos na rua onde mora a vereadora. Após horas de espera fomos surpreendidos e ameaçados. O marido dela tenta nos atropelar. Ao ser confrontada, Bete nega tudo. Ela demonstra que entende de leis. Sabe como funciona o processo para adotar uma criança no Brasil. Durante nossas investigações descobrimos que essa não foi a primeira vez que ela intermediou a venda de uma criança. Em um cenário típico do sudoeste baiano, Adeídes é outra mulher que deu sua criança para outra família criar.
Em São Bernardo do Campo, no bairro de Rudge Ramos, vamos ao encontro da aliciadora. O carro dela estaciona. O momento é de tensão. Nosso cinegrafista permanece do outro lado da rua, gravando tudo. Ela assume participar de um esquema criminoso, mas é uma mulher bem articulada, que encontra as mais variadas desculpas para justificar suas ações.
A mulher que antes era morena, agora pintou o cabelo e está loira, bem difrente daquela que encontramos pela primeira vez em um shopping. Quando confrontada com as mais duras questões, o humor da aliciadora oscila. Muitas vezes nervosa. Em outras, agressiva. Em alguns momentos, chora. Desesperada, ela se defende a qualquer custo. Ela se classifica com uma mulher disposta a promover caridade, mesmo que de forma ilegal.