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Amor e Revolução

"Duas filhas de uma amiga minha passaram a me odiar", diz Nicole Puzzi sobre Feliciana - 18/Jun

Por Adolfo Nomeini

Você já imaginou estar em uma loja e o vendedor virar a cara para você? Para quase todos isso seria uma situação horrível, mas para Nicole Puzzi esta é uma maneira de ter a certeza do sucesso de Feliciana, sua personagem em "Amor e Revolução". "Esse é o tipo de reação que eu pretendia causar, por isso estou feliz", diz a atriz.

Em entrevista ao site do SBT, Nicole contou dos desafios de participar de um projeto inovador, a primeira novela a se passar na época da Ditadura Militar, e também de como tem sido interpretar uma das vilãs da trama.

Como é fazer uma novela de época?
É sempre bom atuar em novela de época, uma possibilidade de viajar no tempo que só a arte nos proporciona. É um excelente desafio ter de sair de nossa época e mergulhar no passado, pesquisar maneiras, hábitos... Prefiro atuar em novelas que saem do nosso momento atual, adoro viajar no tempo.

Como foi a preparação para a personagem?
Quando fui convidada pelo Bhoury (Reynaldo, diretor) e pelo Tiago Santiago (autor), eu não fazia ideia do que viria pela frente. Não havia um perfil da personagem, mais um desafio que resolvi encarar. A cada fala, gesto ou olhar da Feliciana, eu carregava na emoção interna. Eu queria uma personagem má e por isso abusei de olhares e segui as orientações da direção. Quando vi que a Feliciana era "do mal", eu pesquisei a psicopatia em homens e especialmente mulheres, li bons livros a respeito, observei grandes atuações de atores em personagens psicopatas. Liguei para meu professor de teatro e TV na Itália e juntos fomos orientando os passos da Feliciana dentro do desejado pelo grande autor Tiago Santiago
 
Como está sendo a reação das pessoas nas ruas?
Muitos elogios de alguns e muita gente confundindo tudo. Já recebi mensagens me aconselhando a mudar de atitude, falando até para rever minha fé em Jesus, pois o mal sempre será punido. Um senhor me disse que eu ia pagar por tanta maldade. As duas filhas de uma amiga passaram a me odiar e perguntaram pra mãe por que ela era amiga de uma mulher tão má. Muita gente vira a cara, já deixei de ser atendida em uma loja, pois a vendedora não suportava olhar para a cara da Feliciana. Esse é o tipo de reação que eu pretendia causar, por isso estou feliz.

Qual a importância de retratar um tema como o da Ditadura?
Porque esse assunto parecia um tabu. Na minha faculdade, alguns alunos da minha classe de Direito não sabiam que a Ditadura havia ocorrido, achavam que eu exagerava ao relatar um caso ou outro que presenciei ou fiquei sabendo. Muitos políticos preferiam jogar tudo por baixo do pano, muitos empresários idem. Mas a verdade tinha de vir à tona. O Tiago sabia disso e fico feliz em participar de uma novela corajosa como essa.

Sua personagem está passando por um reviravolta. Você a considera uma grande vilã?
Sim, é uma grande vilã. Mas, também uma vítima de maus tratos, muito doente com distúrbios mentais gravíssimos.  Possui o perfil de vilã: uma mulher fria, manipuladora, insensível e incapaz de afetividade. Sua vontade de vingança, seu prazer em maltratar pessoas indefesas são características de uma personalidade pscopática clinicamente perversa. O possível passado de abusos emocionais e sexuais de Feliciana, aliados a uma disfunção cerebral faz dela uma pessoa irrecuperável e de alta periculosidade.

Qual a melhor e a pior característica da Feliciana?
A pior é a incapacidade de amar, a melhor é, bem, proporcionar à Nicole um papel extremamente difícil (risos). Mas a melhor característica dela é a persistência em cumprir seus objetivos, mesmo que seja matar alguém.
 
Por que você acha que ela não gosta das meninas?
Porque ela rejeita a própria infância sofrida, destruída pelo pai e outros homens, como ainda vai ser revelado nos próximos capítulos. A presença de duas meninas lindas e educadas, que foram amadas pelos pais é o suficiente para detonar seu rancor e ódio intrínsecos. Sua baixa tolerância, irritação e sadismo, próprios de uma personalidade antissocial, faz com que ela queira destruir as duas.
 
Como é a relação de vocês nos bastidores?
Maravilhosa! Eu me dou bem com as duas e com suas mães, somos amigas. A Thaynara Bergaminn já esteve em minha casa para um chá e adorou minha cachorra Ariel, como se pode ver na foto, a Bruninha ainda me deve uma visita.

O que você acha que ainda está por vir com a personagem?
Não sei, estou curiosa, mas o Tiago não dá nenhuma pista. Na verdade adoro essa expectativa.

Quais os planos para a carreira?
Quero lançar meu livro "A Boca de São Paulo" sobre a época em que atuei no Cinema Nacional, um livro sério, histórico e dedicado a estudantes de Cinema. também estou pensando em voltar ao teatro, mas vamos ver como a vida vai me levar. Tenho os meus cachorros para cuidar, cerca de 400 "peludos" moram no "Abrigo da Dolores", um abrigo do qual faço parte e que cuida de animais que sofreram maus tratos e de cachorrinhos idosos abandonados.

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